Questão #11406902015

Português — moléculas, células e tecidos

Texto 1 – Cercados de objetos por todos os lados

Nunca possuímos tantas coisas como hoje, mesmo que as

utilizemos cada vez menos. As casas em que passamos tão pouco

tempo são repletas de objetos. Temos uma tela de plasma em

cada aposento, substituindo televisores de raios catódicos que há

apenas cinco anos eram de última geração. Temos armários

cheios de lençóis; acabamos de descobrir um interesse obsessivo

pelo número de fios. Temos guarda-roupas com pilhas de

sapatos. Temos prateleiras de CDs e salas cheias de jogos

eletrônicos e computadores. Temos jardins equipados com

carrinhos de mão, tesouras, podões e cortadores de grama.

Temos máquinas de remo em que nunca nos exercitamos, mesa

de jantar em que não comemos e fornos triplos em que não

cozinhamos. São os nossos brinquedos: consolos às pressões

incessantes por conseguir o dinheiro para comprá-los, e que, em

nossa busca deles nos infantilizam. [...]

Exatamente como quando as marcas de moda põem seus

nomes em roupas infantis, uma cozinha nova de aço inoxidável

nos concede o álibi do altruísmo quando a compramos. Sentimonos

seguros acreditando não se tratar de caprichos, mas de

investimento na família. E nossos filhos possuem brinquedos de

verdade: caixas e caixas de brinquedos que eles deixam de lado

em questão de dias. E, com infâncias cada vez mais curtas, a

natureza desses brinquedos também mudou. O Mc Donald's se

tornou o maior distribuidor mundial de brinquedos, quase todos

usados, para fazer merchandising de marcas ligadas a filmes. [...]

Na minha vida, devo admitir que andei fascinado pelo brilho

do consumo e ao mesmo tempo enojado e com vergonha de mim

mesmo diante do volume do que nós todos consumimos e da

atração superficial, mas forte, que a fábrica do querer exerce

sobre nós. (Sudjic, Deyan. A linguagem das coisas, Rio de Janeiro:

Intrínseca, 2010.)

Entre os elementos citados a seguir, aquele que mais se distancia do usuário, por seu artificialismo é: