Questão #11393692015

Português

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 10

considere o texto abaixo.

Falsificações na internet

Quem frequenta páginas da internet, sobretudo nas redes

sociais, volta e meia se depara com textos atribuídos a

grandes escritores. Qualquer leitor dos mestres da literatura

logo perceberá a fraude: a citação está longe de honrar a alegada

autoria. Drummond, Clarice Lispector, Guimarães Rosa e

Fernando Pessoa, por exemplo, jamais escreveriam banalidades

recheadas de lugares comuns, em linguagem capenga e

estilo indefinido. Mas fica a pergunta: o que motiva essas falsificações

grosseiras de artistas da palavra e da imaginação?

São muitas as justificativas prováveis. Atrás de todas

está a vaidade simplória de quem gostaria de ser tomado por

um grande escritor e usa o nome deste para promover um texto

tolo, ingênuo, piegas, carregado de chavões. Os leitores incautos

mordem a isca e parabenizam o fraudulento, expandindo a

falsificação e o mau gosto. Mas há também o ressentimento

malicioso de quem conhece seus bem estreitos limites literários

e, não se conformando com eles, dispõe-se a iludir o público

com a assinatura falsa, esperando ser confundido com o grande

escritor. Como há de fato quem confunda a gritante aberração

com a alta criação, o falsário dá-se por recompensado enquanto

recebe os parabéns de quem o curtiu.

Tais casos são lamentáveis por todas as razões, e constituem

transgressões éticas, morais, estéticas e legais. Mas fiquemos

apenas com a grave questão da identidade própria que

foi rejeitada em nome de outra, inteiramente postiça. Enganarse

a si mesmo, quando não se trata de uma psicopatia grave, é

uma forma dolorosa de trair a consciência de si. Os grandes

atores, apoiando-se no talento que lhes é próprio, enobrecem

esse desejo tão humano de desdobramento da personalidade e

o legitimam artisticamente no palco ou nas telas; os escritores

criam personagens com luz própria, que se tornam por vezes

mais famosos que seus criadores (caso de Cervantes e seu

Dom Quixote, por exemplo); mas os falsários da internet, ao

não assinarem seu texto medíocre, querem que o tomemos

como um grande momento de Shakespeare. Provavelmente jamais

leram Shakespeare ou qualquer outro gênio citado: conhecem

apenas a fama do nome, e a usam como moeda corrente

no mercado virtual da fama.

Tais fraudes devem deixar um gosto amargo em quem

as pratica, sobretudo quando ganham o ingênuo acolhimento

de quem, enganado, as aplaude. É próprio dos vícios misturar

prazer e corrosão em quem os sustenta. Disfarçar a mediocridade

pessoal envergando a máscara de um autêntico criador

só pode aprofundar a rejeição da identidade própria. É um

passo certo para alargar os ressentimentos e a infelicidade de

quem não se aceita e não se estima.

(Terêncio Cristobal, inédito)

Muita gente nos engana valendo-se das páginas da internet. A transposição da frase acima para a voz passiva implicará