Português
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões
de números 8 a 12.
Outro dia, numa mesa de bar, hesitante e assustado, me
dei conta de que eu não sabia a minha idade. Como pode, a
esta altura do campeonato − qual altura exatamente? − a pessoa
ignorar quantos anos tem?
Quando você é criança, a idade é um negócio fundamental.
É o dado mais importante depois do seu nome. Lembro
que, na época, eu achava de uma obviedade tacanha esse vou
fazer, mas hoje entendo: o desejo de crescer é parte fundamental
do software com que viemos ao mundo. Seis, vou fazer
sete, é menos uma constatação óbvia do que uma saudável
aspiração.
Dos 20 aos 30 anos, avança-se lentamente, com sentimentos
contraditórios. A escola foi há séculos, mas ser adulto
ainda é estranho. A resposta sincera a quantos anos você tem,
nessa fase, seria: 26, queria fazer 25, 25, queria fazer 24, até
chegar a 20 − acho que ninguém, a não ser dopado por doses
cavalares de nostalgia e amnésia, gostaria de ir além, ou
melhor, aquém, e voltar à adolescência.
Trinta anos é uma idade marcante. Agora é inegável que
você ficou adulto. Mas aí você faz 35 e entra numa zona cinzenta
(ou grisalha?) em que idade não significa mais muita
coisa. A impressão que eu tenho, a esta altura do campeonato −
qual altura, exatamente? − é que todo mundo tem a minha idade.
Não sendo púbere nem gagá, estão todos no mesmo barco,
uns com mais dor nas costas, mas no mesmo barco, trabalhando,
casando, separando e resmungando nas redes sociais.
Deve ser por isso que, sem perceber, parei de contar.
(Adaptado de: PRATA, Antonio. Folha de S. Paulo, 01/02/2015)
A saudável aspiração” apontada pelo autor refere-se
Uma questão respondida. E as próximas?
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