Português
Texto I para responder às questões de 01 a 15.
Contra a mera tolerância das diferenças
É preciso tolerar a diversidade. Sempre que me defronto com esse tipo de colocação, aparentemente
progressista e bem intencionada, fico indignado. Não, não é preciso tolerar.
Tolerar, segundo qualquer dicionário, significa algo como suportar com indulgência, ou seja, deixar passar
com resignação, ainda que sem consentir expressamente com aquela conduta.
Tolerar o que é diferente consiste, antes de qualquer coisa, em atribuir a quem tolera um poder sobre o que
tolera. Como se este dependesse do consentimento daquele para poder existir. Quem tolera acaba visto, ainda, como
generoso e benevolente, por dar uma permissão como se fosse um favor ou um ato de bondade extrema.
Esse tipo de discurso, no fundo, nega o direito à existência autônoma do que é diferente dos padrões
construídos socialmente. Mais: funciona como um expediente do desejo de estigmatizar o diferente e manter este às
margens da cultura hegêmonica, que traça a tênue linha divisória entre o normal e o anormal.
Tolerar não deve ser celebrada e buscada nem como ideal político e tampouco como virtude individual. Ainda
que o argumento liberal enxergue, na tolerância, uma manifestação legítima e até necessária da igualdade moral básica
entre os indivíduos, não é esse o seu sentido recorrente nos discursos da política.
Com efeito, ainda que a defesa liberal-igualitária da tolerância, diante de discussões controversas, postule que
se trate de um respeito mútuo em um cenário de imparcialidade das instituições frente a concepções morais mais
gerais, isso não pode funcionar em um mundo marcado por graves desigualdades estruturais.
(QUINALHA, Renan. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2016/02/contra-a-mera-tolerancia-das-diferencas/. Acesso em:
30/03/2016. Trecho.)
Informe se é verdadeiro (V ) ou falso (F ) o que se afirma abaixo sobre as classes de palavras no contexto do texto. A seguir, marque a opção com a sequência correta. ( ) A palavra este”, utilizada nos 3º e 4º parágrafos, cumpre, nos dois casos, o mesmo papel de pronome demonstrativo. ( ) Favor” e bondade”, que ocorrem no 3º parágrafo, são igualmente substantivos. O primeiro masculino e o segundo feminino. ( ) O termo o”, em suas duas ocorrências, assim como uma”, ambos no 5º parágrafo, são artigo indefinido e definido, respectivamente. ( ) Ainda”, nas duas locuções do 5º e do 6º parágrafo, assume o papel de advérbio de tempo.
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