Questão #10825382016

Concursos públicos

Leia o TEXTO 02 para responder às questões 6 e 7.

TEXTO 02

A CRISE E SUAS INTERPRETAÇÕES

Quanto mal uma mídia partidarizada pode causar a um País? Que prejuízos a

irresponsabilidade dos veículos de comunicação traz à sociedade?

No Brasil, essas não são perguntas acadêmicas. Ao contrário. Em nossa história, sobram

exemplos de períodos em que a grande imprensa, movida por suas opções políticas, jogou

contra os interesses da maioria da população. Apoiou ditaduras, avalizou políticas

antipopulares, fingiu não ver os desmandos de aliados.

O instituto Vox Populi acaba de realizar uma pesquisa nacional sobre sentimentos e

expectativas a respeito da economia. O levantamento deixa claro o preço que pagamos por ter a

mídia que temos.

A pesquisa tratou principalmente de inflação e desemprego e mostra que a opinião pública

vive um pesadelo. Olha com desconfiança o futuro, teme a perda de renda e emprego, prefere

não consumir e não tem disposição de investir. Está com medo da crise.

Todos sabem quão importante é o papel das expectativas na vida econômica. Quando a

maioria das pessoas se convence de que as coisas não vão bem, seu comportamento tende a

produzir aquilo que teme: a desaceleração da economia e a diminuição do investimento

público. A crise é, em grande parte, provocada pelas expectativas.

Estampada em manchetes e com tratamento de luxo nos noticiários de tevê, a crise

econômica estava na pauta dos meios de comunicação muito antes de se tornar uma

preocupação real da sociedade. Há ao menos dois anos, é o principal assunto.

A nova pesquisa mostra que a quase totalidade dos brasileiros, depois de ser bombardeada

durante tanto tempo com a noção de crise, perdeu a capacidade de enxergar com realismo a

situação da economia.

A respeito da quantia imaginada para comprar, daqui a um mês, o que compram

atualmente com 100 reais, apenas 2% dos entrevistados estimaram um valor próximo àquele.

Os demais 98% desconfiam de que vão precisar de mais ou de muito mais. Desse total, 73%

temem uma alta dos preços superior a 10%. Quase a metade, 47%, estima uma inflação acima

de 20%. E não menos de 35% receiam que os preços subirão mais de 30% em um mês.

Os números são semelhantes nas análises do desemprego. Apenas 7% dos entrevistados

sabem que hoje menos de dez indivíduos em cada cem estão desempregados. Cerca de um

quarto acredita que o desemprego varie de 10% a 30% da força de trabalho e 38% imaginam

que a proporção de brasileiros sem emprego ultrapassa os 40%.

Por esse raciocínio, o cenário até o fim do ano seria dantesco: quase 40% acreditam que o

desemprego em dezembro punirá mais da metade da população ativa.

Para tanta desinformação e medo do futuro, muitos fatores contribuem. Nossa cultura

explica parte desses temores. Os erros do governo, especialmente de comunicação, são

responsáveis por outra. Mas a maior responsável é a mídia hegemônica.

Ninguém defende que a população seja mantida na ignorância em relação aos problemas

reais enfrentados pela economia. Mas vemos outra coisa. A mídia deseduca ao deformar a

realidade e por nada fazer para seus leitores e espectadores desenvolverem uma visão realista e

informada do País. Fabrica assustados para produzir insatisfeitos.

Com isso, torna-se agente do agravamento de uma crise que estimulou e continua a

estimular, apesar de seu custo para as famílias e para o Brasil.

(COIMBRA, Marcos. Revista Carta Capital. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/revista/852/acrise-e-suas-interpretacoes-4986.html.

Acesso em: 26/01/2016. Adaptado.)

De acordo com a Nova Ortografia da Língua Portuguesa, no trecho Apoiou ditaduras, avalizou

políticas antipopulares, fingiu não ver os desmandos de aliados (...) o termo destacado

I.deveria ter sido grafado com hífen, como em anti-higiênico e anti-inflacionário.

II.está adequadamente grafado, obedecendo à regra em que prefixo terminado em vogal se

junta com a palavra iniciada por consoante.

III.está adequadamente grafado, assim como em antiaéreo e antiprofissional.

IV.tem como facultativo o emprego do hífen, visto que o Novo Acordo Ortográfico ainda é

recente.

V.obedece à mesma regra que palavras formadas por prefixos como super-, ultra- e sub-.

Estão CORRETAS as proposições